SENSO COMUM E CIÊNCIA



FILOSOFIA, SENSO COMUM E CIÊNCIA 



Filosofia, senso comum e ciência

A filosofia opõe-se ao senso comum porque recusa a superficialidade, as visões simplistas e instantaneas, as opiniões infundadas e não argumentadas, as verdades tradicionais cristalizadas. A filosofia rejeita do senso comum a fixidez, a precipitação, a pressa de se agarrar a uma qualquer verdade fácil e cómoda, a intolerância própria de quem transforma as opiniões em crenças inquestionáveis. A filosofia faz a crítica sistemática do senso comum realçando o facto de que muitas das questões tratadas com leveza pelo pensamento vulgar podem ser aprofundadas e refletidas de modo rigoroso e radical pelos filósofos.

A filosofia porém não é ciência porque não delimita o seu campo de análise, não utiliza experimentações e não é objetiva. A filosofia não é definitivamente ciência embora, tal como ela, procure construir um saber sólido e racional, um saber que ultrapasse o nível do estritamente vivenciado para, assente no rigor e na reflexão crítica, permitir uma compreensão esclarecida do mundo e de nós mesmos. Ninguém espera que a filosofia forneça respostas exatas e únicas para os problemas fundamentais do Homem. A própria diversidade das respostas, sendo fator de diálogo e discussão, é enriquecedora e estimula a procura pessoal, a construção da nossa mundividência.

A filosofia tem, entre outras tarefas, a de examinar os nossos preconceitos e não podemos esquecer que há também preconceitos científicos, antigas verdades que perderam o seu valor científico ou foram substituídas por outras mas a que nos apegamos obstinadamente. Para o homem do senso comum a ciência, que lhe permanece estranha, transformou-se numa nova religião e na fábrica de novos dogmas.

Por outro lado, as próprias explicações científicas deixam por responder muitas questões que não podem ser ignoradas e acrescentam também novos problemas. A aliança entre a ciência e a técnica, sem dúvida proveitosa em muitas aspectos, empobreceu a racionalidade convertendo-a numa racionalidade técnica, instrumental, que parece só entender a realidade quando a pode manipular e submeter.